segunda-feira, 17 de julho de 2017

Julho, faz verão e é inverno.

No exato momento em que meus olhos se encontraram com seus olhos castanhos claros pela primeira vez com calma, à mesa daquele café, no fim de tarde de uma quinta-feira qualquer, eu percebi que me apaixonei.

Aquela visão me encantou.

Aqueles olhos lindos, olhos que pertencem ao homem sentado a minha frente, e que me encaram por três segundos.
Segundos que meu coração fez questão de dilatar.
E que minha cabeça repete várias vezes ao longo do dia desde então.

Esses segundos, essa imagem linda que foi teus olhos me olhando, estão se transformando em dias inteiros.
Não me venhas com indiferença, pois sou mulher de afetos.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Escrever:
Jogar pra fora de si o que há dentro.
Ou da mesma maneira interiorizar o que vem de fora.
Transformar em palavras o que é fluído e/ou esquizofrênico em pensamentos.
Sentir com o verbo. Pensar com os substantivos.

Escrever é estar em si e fora de si ao mesmo tempo. É ter sido e estar sendo.
É o banho de sal grosso que a cabeça pede e o coração dá. Ou vice-versa.

Escrevi. Escreverei. E assim voltei prum ponto que sempre está aqui: minha ilha, meu mar, minha água-viva.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Por entre as frestas da veneziana vejo o dia clarear nos seus tons de azul.
Acordei cedo hoje.
Faço um cafuné no gato, aquele mais choroso por carinho, e volto pra cama.
O azul do dia clareia lento.
Clareia e eu acordo e não durmo mais.
Entre todas as contas dos bancos e seus numerais, entre todas as dívidas a serem pagas, entre a ida à secretaria do instituto da universidade, entre a vontade de passar na loja de bodypiercing e fazer mais um furo no corpo, entre a necessidade de fazer feira, entre a organização dos gastos do próximo mês, entre a poetisa que eu descobri na semana passada olhando vídeos no Youtube eu lembro de você.
Tu tens estado presente entre tudo.
Por entre mim. Tu tens estado presentificando-se, até quando eu menos imagino.

A imagem que a poetisa criou no meu imaginário se encaixa muito bem com umas das minhas possíveis conclusões para o amor: é como o elemento mercúrio na Terra, que quando cai ao chão se esparrama.
Esparrama, esparrama, esparrama...

Nunca viu isso acontecer quando um termômetro, daqueles mais antigos, cai e se quebra? Então vem, me dá tua mão, vou te mostrar como é mercúrio se esparramando na Terra.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

São dias loucos esses, são de lutas

Passei a noite em uma ocupação, primeira vez que fiz isso e sinto que deveria ter feito isso mais vezes ao longo do ano. O Brasil está tomado por uma onda linda de ocupações nas escolas secundarista e agora nas universidades de todas as regiões.
Isso de ocupar um espaço público para reivindicar direitos na educação, na saúde, nos serviços públicos que garantem à população uma vida melhor e com mais dignidade é o mínimo que nós, povo, podemos fazer.
Lembro de quando começaram os boatos de deposição do governo Dilma, não acreditava que isso fosse ocorrer, afinal de contas nasci no tempo da democracia e é só isso que eu conheço.
Depois de o país ter enfrentado uma ditadura, há 50 anos atrás (que é um tempo muito recente), depois de termos reconquistados direitos e garantido ainda outros que já eram exigidos em lutas de anos, depois de o ingresso ao ensino público e de qualidade no ensino superior parecer uma conquista sólida e fixada vem isso de impeachment impostor. Foi um golpe pra mim. Um golpe que deram na filha da democracia.
Nos empurram goela abaixo um governo corrupto, essa gente que adora seu próprio umbigo, e querem ditar o que nós, a parte trabalhadora e maioria da população deste país, devemos ou não ter direito?!
É um dos maiores absurdos que presencio na vida.
Não devemos nos calar!
Ao mesmo tempo sinto o quanto é difícil e cansativo lutar contra isso. Toma um tempo e dedicação que transforma o cotidiano. Mesmo assim sinto uma sensação de "estou no lugar certo" a cada vez que me engajo, o mínimo que for, com os movimentos contra essas atrocidades todas.
A luta que enfrentamos diariamente quando defendemos o que acreditamos é dura sim, é cansativa sim, porque é uma luta.
Mas sem luta não há vitória.

#foratemer
#lutareresistir
#ocupatudo
#maisamorporfavor

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Sobre cartas

Rolando a página inicial do facebook vi uma postagem de uma conhecida do teatro, dizendo que daqui uma semana ela estará de aniversario e deixando claro o que ela gostaria de ganhar como presente nesta data: cartas!
Escrever carta requer uma mínimo de carinho e delicadeza.
É de uma atenção e um preciosismo hoje em dia escolher um papel, uma caneta, fazer um rascunho (ou não), colocar o papel no envelope, despachar nos correios e esperar que isto chegue ao seu destino.
Lembro que há alguns anos atrás eu tive um amigo que assim como eu admirava pessoas que escreviam cartas, e que assim como eu gostava de receber cartas.
Tenho poucas, ganhei algumas com cumprimentos de feliz aniversário de parentes que moram em cidades do interior do estado, mas cartas que escreveram para mim somente pela vontade de escrever algo para mim sem nenhuma data comemorativa como pretexto são poucas.
Esse meu amigo foi quem mais me deu as benditas.
Lembro que fizemos um combinado de trocarmos cartas sempre.
Lembro que não durou muito tempo, talvez uns dois meses.
Hoje em dia a amizade se acabou e a única coisa que resta dela são os papeis com escritos que trocamos, que guardo com carinho.
Quem fez a postagem não é tão próxima minha, mas a ideia de escrever para ela dizendo as coisas que lhe desejo e lhe presenteando com essa delicadeza que eu tanto gosto é tão gostosa que eu acho que nós duas merecemos.
O escrever e o receber.

sábado, 20 de junho de 2015

E o tempo passa rápido quando eu me perco por aí.
e eu tenho me perdido muito.

sábado, 16 de maio de 2015

De tempos em tempos eu percebo algumas madurezas que acontecem comigo. A vida vai ensinado os caminhos possíveis e eu vou aprendendo o quanto posso (e às vezes posso bem pouquinho). De uns instantes pra cá a madureza de lidar com a dor de uma expectativa frustada me pegou um pouco mais forte do que da última vez. Essas danadas frustrações expectantes... Essas expectativas frustrantes.
Sentir que a dor faz parte sem fazer da dor nem mais nem menos do que lhe é de direito e dever fazer. Nem mais nem menos. Senti-la sim, porque é saudável e faz crescer, faz madurar e é assim que é. Mas sentir a dor sabendo que tudo é mutante e que é prosaico sentir isso, porque expectativas que frustram são corriqueiras e ai de mim se não aprendesse logo a lidar com isso!
Mas ainda estou aprendendo apenas.

domingo, 27 de outubro de 2013

27.10.2013

Esse lugar está uma bagunça. A única vontade que impera é o da cama e cobertor.
Venta lá fora, parece que vem mais chuva. Choveu o dia todo, deu uma trégua, mas pelo jeito que venta a trégua já vai acabar. É questão de pouco tempo.
Um banho de chuva cairia bem, se agora não fosse madrugada. Dizem que banho de chuva purifica, leva as energias ruins pra terra, purifica a gente. Eu acredito, acho que a água tem esse poder. A água, a terra, o vento. Acredito no poder de todas as coisas, até dessas energias aí.
Acabei de ouvir um trovão. Primeiro vi o relâmpago, depois ouvi o trovão. Eu gosto de dias assim, chuvosos, com cama e cobertor. Coma.

Esses dias estava no ônibus, sentada na janela, pensando em não ter filhos. No dia seguinte, na faculdade, uma colega falou a mesma coisa, sem que eu tivesse comentado com ela. Ela estava no ônibus, sentada no banco da janela, pensando em não ter filhos. Engraçado isso.
Quando eu era pequena eu pensava que minha vó e minha tia eram feministas porque uma teve uma filha aos 29 anos e a outra nunca teve marido, que dirá filhos. Ilusão da minha cabeça. E pior é que acho que criei essa ilusão depois de grande pensando que foi quando pequena. Engraçado isso.
A reinvenção da memória. Sempre se modificando. Será que é esse o único jeito dela nunca evaporar? Não queria mais que minhas memórias evaporassem, tenho muito medo disso. Depois de um caso de Alzheimer na família eu fiquei assustada. E descobri que sou medrosa, e sensível, e mais humana do que pensei que fosse.

Meus olhos  pesam, quase se fecham, e eu luto contra isso só mais um pouquinho, por enquanto quero ouvir a rua, seu silêncio, penso em como deve ser ouvir a rua em Koblenz. Só mais dois minutinhos. Cama.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Um caos, como todo ser humano. Não sabe se vai, diz que não e faz sim. Estremece no colchão, sonhando que cai, acorda num pulo. Sai correndo, enquanto é feira tem que ir, quando feira está de folga então pode dormir.
Ah, se o humano lógico fosse mais sensato do que é, mais nuvem talvez... de chuva?!