segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Por entre as frestas da veneziana vejo o dia clarear nos seus tons de azul.
Acordei cedo hoje.
Faço um cafuné no gato, aquele mais choroso por carinho, e volto pra cama.
O azul do dia clareia lento.
Clareia e eu acordo e não durmo mais.
Entre todas as contas dos bancos e seus numerais, entre todas as dívidas a serem pagas, entre a ida à secretaria do instituto da universidade, entre a vontade de passar na loja de bodypiercing e fazer mais um furo no corpo, entre a necessidade de fazer feira, entre a organização dos gastos do próximo mês, entre a poetisa que eu descobri na semana passada olhando vídeos no Youtube eu lembro de você.
Tu tens estado presente entre tudo.
Por entre mim. Tu tens estado presentificando-se, até quando eu menos imagino.
A imagem que a poetisa criou no meu imaginário se encaixa muito bem com umas das minhas possíveis conclusões para o amor: é como o elemento mercúrio na Terra, que quando cai ao chão se esparrama.
Esparrama, esparrama, esparrama...
Nunca viu isso acontecer quando um termômetro, daqueles mais antigos, cai e se quebra? Então vem, me dá tua mão, vou te mostrar como é mercúrio se esparramando na Terra.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016



Na foto um sorriso sincero de quem sonhou desde criança entrar na universidade, cursar uma graduação sem nem saber exatamente o que queria e que agora se aproxima do momento de pegar o diplomada e ser bacharel em Teatro com todo o orgulho e satisfação que isso pode ter.

Agora, no momento em que escrevo estas palavras, uma profunda tristeza, por todo o contexto político que vivemos hoje. Agora. Nesse momento.
PEC 55 aprovada. Golpe de Governo. Governo Sartori e suas extinções de fundações importantíssimas para a educação, cultura e arte do estado. Greve de professores e ocupações. Blackblocks e tropa de choque. E eu vivendo minha vidinha, trabalhando 8h por dia, pagando o INSS, escrevendo meu tcc, no meu quarto, na frente do meu computador, no meu mundinho...

Fico triste por não me ver desacomodada com tudo isso. Ao mesmo tempo que me indigno, eu sei que não tenho fôlego pra fazer nada além de me entristecer profundamente com todos os acontecimentos desse ano. É difícil lutar. É difícil ir contra forças tão maiores que nós. É difícil defender sempre os mesmos direitos que nos tentam a toda hora tirar. É difícil.

Não me sinto segura, não me sinto feliz, não me sinto livre. E sei que assim não se pode continuar.
Se aprendi algo com esses anos de teatro foi que faço isso por acreditar num mundo melhor, na esfera que for.

- Vai mulher, te coloca! Teu fôlego aguenta mais do que tu pensa que aguenta! Faz a mudança que tu quer ver! Vamos em frente, juntas!

#temerjamais

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

São dias loucos esses, são de lutas

Passei a noite em uma ocupação, primeira vez que fiz isso e sinto que deveria ter feito isso mais vezes ao longo do ano. O Brasil está tomado por uma onde linda de ocupações nas escolas secundarista e agora na universidades de todas as regiões. Isso de ocupar um espaço público para reivindicar seus direitos na educação, na saúde, nos serviços públicos que garantem à população uma vida melhor e com mais dignidade é o mínimo que nós, população desse brasilzão, podemos fazer.
Lembro de quando começaram os boatos de deposição do governo Dilma, não acreditava que isso fosse ocorrer, afinal de contas nasci no tempo da democracia e é só isso que eu conheço de fato. Depois de termos enfrentado uma ditadura, há 50 anos atrás, isso que na história é um tempo muito recente, depois de termos reconquistados direitos e garantido ainda outros que já eram exigidos em lutas de anos, depois de o ingresso ao ensino público e de qualidade no ensino superior parecer uma conquista sólida e fixada vem isso de impeachment impostor. Foi um golpe pra mim. Um golpe que deram na filha da democracia. Nos empurram goela abaixo um governo corrupto, cheirando a bebida fina e cara e querem ditar o que nós, os pobres, a classe média, nós a parte trabalhadora e de maioria em números da população deste país devemos ou não ter direito?! É um dos maiores absurdos que presencio até hoje na vida. Até então só havia visto isto nos livros de história, estudando governos passados ou de outros países.
Não devemos nos calar! Ao mesmo tempo sinto o quanto é difícil e cansativo lutar contra isso. Toma um tempo e dedicação que transforma completamente o cotidiano. É difícil se engajar com algo que coloca teus pés fora do chão. Mesmo assim sinto uma sensação de "estou no lugar certo" a cada vez que me engajo, o mínimo que for, com o movimento contra essas atrocidades todas, me sinto uma cidadã que exerce sua função como parte do povo. Me sinto fazendo valer todos os direitos que me são dados quando eu luto pra que eles permaneçam.
A luta que enfrentamos diariamente quando defendemos o que acreditamos é dura sim, é cansativa sim, porque é uma LUTA. Mas sem luta não há vitória.

#foratemer
#lutareresistir
#ocupatudo
#maisamorporfavor

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Sobre cartas

Rolando a página inicial do Facebook para baixo vi uma postagem de uma amiga, conhecida do teatro, dizendo que daqui uma semana ela estará de aniversario e deixando claro o que ela gostaria de ganhar como presente nesta data: cartas!
Escrever carta requer uma mínimo de carinho e delicadeza. É de uma atenção e um preciosismo hoje em dia escolher um papel, uma caneta fazer um rascunho (ou não), colocar o papel no envelope, despachar nos Correios e esperar que isto chegue ao seu destino.
Lembro que há alguns anos atrás eu tive um amigo que assim como eu admirava pessoas que escreviam cartas e que assim como eu gostava de receber cartas. Tenho poucas cartas, ganhei algumas com cumprimentos de feliz aniversário de parentes que moram em cidades do interior do estado ao longo da vida, mas cartas que escreveram para mim somente pela vontade de escrever algo para mim sem nenhuma data comemorativa como pretexto são poucas. Esse meu amigo foi quem mais me deu cartas.
Lembro que fizemos um combinado de trocarmos cartas sempre.
Lembro que não durou muito tempo, talvez uns dois meses.
Hoje em dia a amizade se acabou e a única coisa que resta dela são estas cartas que trocamos que ainda tenho e guardo com carinho.
Essa amiga que fez a postagem não é tão próxima minha, mas a ideia de escrever uma carta para ela dizendo todas as coisas que lhe desejo e lhe presenteando com essa delicadeza que eu tanto gosto é tão gostosa que eu acho que nós duas merecemos.
O escrever e o receber.

sábado, 20 de junho de 2015

E o tempo passa rápido quando eu me perco por aí.
e eu tenho me perdido muito.

sábado, 16 de maio de 2015

De tempos em tempos eu percebo algumas madurezas que acontecem comigo. A vida vai ensinado os caminhos possíveis e eu vou aprendendo o quanto posso (e às vezes posso bem pouquinho). De uns instantes pra cá a madureza de lidar com a dor de uma expectativa frustada me pegou um pouco mais forte do que da última vez. Essas danadas frustrações expectantes... Essas expectativas frustrantes.
Sentir que a dor faz parte sem fazer da dor nem mais nem menos do que lhe é de direito e dever fazer. Nem mais nem menos. Senti-la sim, porque é saudável e faz crescer, faz madurar e é assim que é. Mas sentir a dor sabendo que tudo é mutante e que é prosaico sentir isso, porque expectativas que frustram são corriqueiras e ai de mim se não aprendesse logo a lidar com isso!
Mas ainda estou aprendendo apenas.

domingo, 27 de outubro de 2013

27.10.2013

Esse lugar está uma bagunça. A única vontade que impera é o da cama e cobertor.
Venta lá fora, parece que vem mais chuva. Choveu o dia todo, deu uma trégua, mas pelo jeito que venta a trégua já vai acabar. É questão de pouco tempo.
Um banho de chuva cairia bem, se agora não fosse madrugada. Dizem que banho de chuva purifica, leva as energias ruins pra terra, purifica a gente. Eu acredito, acho que a água tem esse poder. A água, a terra, o vento. Acredito no poder de todas as coisas, até dessas energias aí.
Acabei de ouvir um trovão. Primeiro vi o relâmpago, depois ouvi o trovão. Eu gosto de dias assim, chuvosos, com cama e cobertor. Coma.

Esses dias estava no ônibus, sentada na janela, pensando em não ter filhos. No dia seguinte, na faculdade, uma colega falou a mesma coisa, sem que eu tivesse comentado com ela. Ela estava no ônibus, sentada no banco da janela, pensando em não ter filhos. Engraçado isso.
Quando eu era pequena eu pensava que minha vó e minha tia eram feministas porque uma teve uma filha aos 29 anos e a outra nunca teve marido, que dirá filhos. Ilusão da minha cabeça. E pior é que acho que criei essa ilusão depois de grande pensando que foi quando pequena. Engraçado isso.
A reinvenção da memória. Sempre se modificando. Será que é esse o único jeito dela nunca evaporar? Não queria mais que minhas memórias evaporassem, tenho muito medo disso. Depois de um caso de Alzheimer na família eu fiquei assustada. E descobri que sou medrosa, e sensível, e mais humana do que pensei que fosse.

Meus olhos  pesam, quase se fecham, e eu luto contra isso só mais um pouquinho, por enquanto quero ouvir a rua, seu silêncio, penso em como deve ser ouvir a rua em Koblenz. Só mais dois minutinhos. Cama.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Um caos, como todo ser humano. Não sabe se vai, diz que não e faz sim. Estremece no colchão, sonhando que cai, acorda num pulo. Sai correndo, enquanto é feira tem que ir, quando feira está de folga então pode dormir.
Ah, se o humano lógico fosse mais sensato do que é, mais nuvem talvez... de chuva?!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Antes que se perca


Sinto uma vontade imensa de dizer-te algo. Te contar que a rosa que comprei já há duas semanas está há mais de uma murcha dentro da garrafa com água, secando aos poucos. Talvez falar das minhas angústias à noite quando acordo com raiva de ter sonhado mais uma vez o sonho que não quero nunca mais sonhar e que todas as noite sonho. Falar sobre meus cacos, pequenos estilhaços que habitam dentro desse meu corpo e que de vez em quando, dependendo da maneira como caminho, se sacolejam e me incomodam, me machucam, depois logo passa. Dizer que sim, estou tendo momentos bons e alegres os quais estão me fazendo muito bem e estão me renovando de maneira suave e boa! Mas não quero apenas dizer-te algo, quero ouvir-te também. Quero ouvir tua voz falando bem perto sobre qualquer coisa que eu ainda não conheça, como o seu cachorro que eu nunca vi ou a sua cidade que nunca visitei. Quero, entre um gole de café e outro, ouvir você dizer com cheiro de expresso que o filme que te comentei tem uma fotografia boa, mas um péssimo roteiro. Quero escutar as tuas melancolias e abraçar tuas tristezas do jeito que eu gostaria que você me abraçasse. Quero ouvir-te dizer que somos cúmplices de momentos alegres, vorazes e o que quer que for e que seja bom e que seja gostoso e que você goste... Só espero ter tempo de dizer-te essas coisas e de ouvir de ti estas outras depois que acabar de me entorpecer com mais uma garrafa de vodka, assim como fiz antes, assim como fiz antes deste outro antes e assim como tenho feito mesmo sem planejar fazer. Espero ter tempo depois, antes que você fuja de mim e finja que nada aconteceu, de dizer-te que hoje eu não acordei no meio da madrugada porque eu não sonhei o sonho que não gosto e que eu adoraria visitar sua cidade e conhecer seu cachorro. Espero que eu não mergulhe você junto com minhas mágoas nessa garrafa sem perceber, seria uma pena.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O delírio que chamo "coração" está trabalhando em projeções neste momento, baseado em uma possibilidade real e que já está no tempo passado (recente). Se existisse somente o delírio para comandar este corpinho provavelmente a projeção estaria em estado probatório agora. Felizmente (ou não) há algo a mais que divide os comandos com o delírio, dessa forma só o que passa a ser real é este post. Claro, "real", ainda virtual.