segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Uma força dessas que não é de músculos,
não é de fibras,
não tem a ver com carne nenhuma.
Uma força que surge das entranhas, mas vem de muito mais profundo.
Vem do fundo e de antes.
Acho até que tem muito de ancestralidade
nessa força toda.
Quando ouço as histórias delas, quando me reconheço como fruto  que também vai deixar sementes, quando percebo que não é parecendo grandiosa que essa força se torna assim... imensa, gigante... Esse senso do coletivo mulher.
Mulher meio bruxa, meio loba, meio cientista, meio poeta.
Meio inteira, mesmo cheia de rachaduras centenárias.
Historicamente tratadas como metades, meios, menores e o que mais for nesse caminho.
"Torna-se mulher", disseram. Ela disse.
Disseram tantas coisas, não é mesmo?!
E eu ouvi. Ainda ouço tudo.
Contudo, aprendo cada vez mais a sentir. Dia após dia.
Sentindo os dias e o que vem com eles.
E isso,
meu bem,
é o que é essa força.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

No fim das contas todas o que eu contabilizo se volta para o eu, para o meu próprio bem-estar e bem-viver.
No fim de tudo o que importa é eu ser feliz e estar de bem comigo mesma e com minhas tomadas de direção. De bem com as escolhas que eu faço ou deixo de fazer.
Tem a ver contigo também, é claro que sim, é de nós que eu gosto e não do ser/estar só.
O que eu gosto é de ser/estar nós. Eu gosto de nós.
Emaranhados de braços, abraços, cheiros, aconchegos, cafunés e recordes de horas deitados na cama e todo esse mar de afeto que é onde eu flutuo.
Mas pra ser nós tem que ser eu antes de tudo, antes dos emaranhados todos.
Ser eu pra poder ser nós.
É difícil, eu quero ser o fácil e o levo, mas é difícil e pesado ao mesmo tempo.
Saber ponderar, saber ceder sem deixar de ser. Saber ser firme sem ser dura.
Toda uma malemolência, todo um rebole-bole, tudo isso pra poder ser eu e ser nós e estar feliz e ser feliz e ficar de bem com tudo isso como tudo isso é.
Eu queria o fácil, mas meu mundo de alice está caindo por terra e percebendo que nada é fácil ou sem um tanto de esforço... Mas tem coisas que valem os acordos e tantas horas de conversas pra chegar em algum lugar.
Lugar esse nosso, que apesar de não sabermos onde estamos indo, sempre acabamos num abraço bom.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

E se ao invés de querer sugar a alma daqueles que não são nós
E se todo o olhar, qualquer olhar, tivesse um pouco mais de carinho
E se o umbigo não fosse o que mais importa
E se o afeto conseguisse realmente afetar - Afetar aqueles todos, sabe

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Agosto

Agosto chegou.
E já logo de cara, no primeiro dia, veio você.
Saí de casa, com aquela vontade de ficar, com aquele receio de que meus cacos podiam sacolejar a qualquer instante. (Essa mania de levar a nossa bagagem em toda e qualquer estrada...)

Mas daí foi você que chegou com gosto, em agosto.
Seu sorriso, sua boca, sua voz, suas mãos...
Daí foi você.
Daí foi dia depois de dia e noite depois de noite.

Veio você.

Que acalanta meu coração.
Me afaga inteira.
Me sinto boba de tão feliz nesse emaranhado gostoso que é o teu abraço.
Me sinto num dia bom de verão. Me sinto leve. Me sinto vento.

(A felicidade é como o vento, ela passa pela gente e  a gente só pode é sentir)

Agosto chegou e me trouxe você: o verão inteiro nos teus braços abertos pra me fazer feliz.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Julho, faz verão e é inverno.

No exato momento em que meus olhos se encontraram com seus olhos castanhos claros pela primeira vez com calma, à mesa daquele café, no fim de tarde de uma quinta-feira qualquer, eu percebi que me apaixonei.

Aquela visão me encantou.

Aqueles olhos lindos, olhos que pertencem ao homem sentado a minha frente, e que me encaram por três segundos.
Segundos que meu coração fez questão de dilatar.
E que minha cabeça repete várias vezes ao longo do dia desde então.

Esses segundos, essa imagem linda que foi teus olhos me olhando, estão se transformando em dias inteiros.
Não me venhas com indiferença, pois sou mulher de afetos.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Escrever:
Jogar pra fora de si o que há dentro.
Ou da mesma maneira interiorizar o que vem de fora.
Transformar em palavras o que é fluído e/ou esquizofrênico em pensamentos.
Sentir com o verbo. Pensar com os substantivos.

Escrever é estar em si e fora de si ao mesmo tempo. É ter sido e estar sendo.
É o banho de sal grosso que a cabeça pede e o coração dá. Ou vice-versa.

Escrevi. Escreverei. E assim voltei prum ponto que sempre está aqui: minha ilha, meu mar, minha água-viva.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Por entre as frestas da veneziana vejo o dia clarear nos seus tons de azul.
Acordei cedo hoje.
Faço um cafuné no gato, aquele mais choroso por carinho, e volto pra cama.
O azul do dia clareia lento.
Clareia e eu acordo e não durmo mais.
Entre todas as contas dos bancos e seus numerais, entre todas as dívidas a serem pagas, entre a ida à secretaria do instituto da universidade, entre a vontade de passar na loja de bodypiercing e fazer mais um furo no corpo, entre a necessidade de fazer feira, entre a organização dos gastos do próximo mês, entre a poetisa que eu descobri na semana passada olhando vídeos no Youtube eu lembro de você.
Tu tens estado presente entre tudo.
Por entre mim. Tu tens estado presentificando-se, até quando eu menos imagino.

A imagem que a poetisa criou no meu imaginário se encaixa muito bem com umas das minhas possíveis conclusões para o amor: é como o elemento mercúrio na Terra, que quando cai ao chão se esparrama.
Esparrama, esparrama, esparrama...

Nunca viu isso acontecer quando um termômetro, daqueles mais antigos, cai e se quebra? Então vem, me dá tua mão, vou te mostrar como é mercúrio se esparramando na Terra.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

São dias loucos esses, são de lutas

Passei a noite em uma ocupação, primeira vez que fiz isso e sinto que deveria ter feito isso mais vezes ao longo do ano. O Brasil está tomado por uma onda linda de ocupações nas escolas secundarista e agora nas universidades de todas as regiões.
Isso de ocupar um espaço público para reivindicar direitos na educação, na saúde, nos serviços públicos que garantem à população uma vida melhor e com mais dignidade é o mínimo que nós, povo, podemos fazer.
Lembro de quando começaram os boatos de deposição do governo Dilma, não acreditava que isso fosse ocorrer, afinal de contas nasci no tempo da democracia e é só isso que eu conheço.
Depois de o país ter enfrentado uma ditadura, há 50 anos atrás (que é um tempo muito recente), depois de termos reconquistados direitos e garantido ainda outros que já eram exigidos em lutas de anos, depois de o ingresso ao ensino público e de qualidade no ensino superior parecer uma conquista sólida e fixada vem isso de impeachment impostor. Foi um golpe pra mim. Um golpe que deram na filha da democracia.
Nos empurram goela abaixo um governo corrupto, essa gente que adora seu próprio umbigo, e querem ditar o que nós, a parte trabalhadora e maioria da população deste país, devemos ou não ter direito?!
É um dos maiores absurdos que presencio na vida.
Não devemos nos calar!
Ao mesmo tempo sinto o quanto é difícil e cansativo lutar contra isso. Toma um tempo e dedicação que transforma o cotidiano. Mesmo assim sinto uma sensação de "estou no lugar certo" a cada vez que me engajo, o mínimo que for, com os movimentos contra essas atrocidades todas.
A luta que enfrentamos diariamente quando defendemos o que acreditamos é dura sim, é cansativa sim, porque é uma luta.
Mas sem luta não há vitória.

#foratemer
#lutareresistir
#ocupatudo
#maisamorporfavor

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Sobre cartas

Rolando a página inicial do facebook vi uma postagem de uma conhecida do teatro, dizendo que daqui uma semana ela estará de aniversario e deixando claro o que ela gostaria de ganhar como presente nesta data: cartas!
Escrever carta requer uma mínimo de carinho e delicadeza.
É de uma atenção e um preciosismo hoje em dia escolher um papel, uma caneta, fazer um rascunho (ou não), colocar o papel no envelope, despachar nos correios e esperar que isto chegue ao seu destino.
Lembro que há alguns anos atrás eu tive um amigo que assim como eu admirava pessoas que escreviam cartas, e que assim como eu gostava de receber cartas.
Tenho poucas, ganhei algumas com cumprimentos de feliz aniversário de parentes que moram em cidades do interior do estado, mas cartas que escreveram para mim somente pela vontade de escrever algo para mim sem nenhuma data comemorativa como pretexto são poucas.
Esse meu amigo foi quem mais me deu as benditas.
Lembro que fizemos um combinado de trocarmos cartas sempre.
Lembro que não durou muito tempo, talvez uns dois meses.
Hoje em dia a amizade se acabou e a única coisa que resta dela são os papeis com escritos que trocamos, que guardo com carinho.
Quem fez a postagem não é tão próxima minha, mas a ideia de escrever para ela dizendo as coisas que lhe desejo e lhe presenteando com essa delicadeza que eu tanto gosto é tão gostosa que eu acho que nós duas merecemos.
O escrever e o receber.